10.9.08


Havelock Ellis, em seu livro escrito em 1926, Estudos da Psicologia do Sexo, diz: “a essência do sadomasoquismo não é tanto a dor, já que a dominação dos sentidos é mais emocional que física. O masoquismo sexual ativo tem pouco a ver com dor e tudo a ver com a procura de prazer emocional. Quando entendemos que é apenas dor e não crueldade, o essencial nesse grupo de manifestações começamos a chegar mais perto da explicação. O masoquista deseja experimentar a dor, mas ele geralmente deseja que seja infligida com amor; o sádico deseja infligir a dor, mas ele deseja que seja sentida com amor”.

As bases das atividades sadomasoquistas devem seguir as linhas do “são, seguro e consensual”. A pessoa que pratica o sadomasoquismo precisa conhecer as técnicas e preocupar-se com os itens de segurança que estão envolvidos no que está fazendo e atuar de acordo com esse conhecimento.

O sadomasoquismo é voluntário, pois as pessoas que o praticam concordam com a troca erótica de poder por vontade própria e por livre escolha. São livres para escolher. Além de ser voluntário, o sadomasoquismo é consensual, pois todas as pessoas envolvidas concordam sobre o que vai acontecer. As pessoas que praticam sadomasoquismo são informadas a respeito de todas as possíveis conseqüências envolvidas pela troca erótica e não só procuram como têm prazer com esse comportamento.

Para a psicanalista neozelandesa Joyce McDougall, um dos maiores expoentes da psicanálise mundial, “a violência não é, necessariamente, destrutiva: ela pode ser criativa e construtiva. Talvez a violência se torne destrutiva quando não existe espaço para a criatividade e para o erotismo. O ato sexual é, no fundo, violento. Mas a relação afetiva com o objeto o protege de destruição”. Os códigos sadomasoquistas são fielmente respeitados por seus praticantes que fazem parte de um grupo peculiar da sociedade e representam a singularidade humana. Assim como afirma Joyce, “a principal ‘zona erógena’ da humanidade está na cabeça. A perversão, como a beleza, está nos olhos de quem vê.”

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