10.9.08


A internet vive em constante discussão. Enquanto muitos a utilizam como ferramenta de ajuda para pesquisa, outros preferem extravasar suas perversões mais íntimas. O meio se torna assim, um lugar de contrastes, onde o bonito para os ditos “normais” se confunde com visões e expectativas completamente diferentes.

É cada vez mais comum ligar um noticiário sensacionalista, ou não, e ver mais um pedófilo sendo preso. E o ponto em comum entre eles, é principalmente, a internet. Sites de violência e abuso de crianças pipocam na rede como se fosse normal, e nem chegasse a ser um crime. Como se ninguém fosse visto atrás de uma tela de computador.

A sensação de invisibilidade dada pela internet confunde quem precisa extravasar seus desejos mais incomuns. Em redes de relacionamento pode se encontrar qualquer tipo de pessoa, e uma infinidade de diferentes idéias. Muitas, se escondem atrás de uma bandeira qualquer, para mostrar ao mundo o que pensam e sentem, sem serem “descobertas” por quem as rodeia diariamente.

Essa falsa impressão pode durar pouco, ou, de fato, ser eterna. Tudo depende do que a pessoa coloca na rede. Perversões sexuais consideradas crime são constantemente descobertas pela polícia com ajuda de vários outros usuários, que se tornam “detetives”, a fim de acabar com que acreditam que seja um ‘mal na humanidade’.

Se qualquer pessoa, maior de idade ou não, pesquisar no site de relacionamentos Orkut sobre algum fetiche, como sadomasoquismo, por exemplo, encontrará várias comunidades explicitamente ligadas à prática, e uma infinidade de participantes interessados no assunto, sendo eles sadomasoquistas, aspirantes ou apenas curiosos. E se continuar a pesquisa dentro do perfil de cada usuário mais “ousado”, pode encontrar outra gama de comunidades relacionadas aos mais diversos tipos de fetiches e práticas. É como se as grandes casas S & M (ponto de encontro para quem se interessa por sadismo ou masoquismo e outros fetiches) migrassem para a internet, a fim de juntar usuários do mundo todo em um único ambiente, que embora seja virtual, não pode ser descartado.

Por trás de cada perfil “falso” da internet existe um cidadão comum, que exerce profissões muitas vezes bem vistas na sociedade contemporânea, como médicos, engenheiros, dentistas e advogados, entre outros. E é na brecha do anonimato, aberta pelo surgimento da internet, que essas pessoas exteriorizam suas perversões. Muitos levam tempo para entrar nessa “sociedade secreta” por sustentarem ainda algum tipo de medo de serem descobertos. Outros encontram novas formas de satisfação através do depoimento de terceiros. E assim, se forma a grande comunidade dos excluídos anônimos. Onde nome, endereço e classe social não fazem a menor diferença.

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