10.9.08

O enorme e musculoso homem de torso nu puxa com força a corrente que prende pela coleira apertada seu magro cão. As tentativas de fuga do animal são repreendidas com chutes e palmadas nas nádegas. Trata-se de um cão teimoso que deve ser punido. O homem está desapontado. Usando um chicote de correntes ele golpeia o animal. Este se contorce de dor, geme de contentamento e se aninha nas pernas do gigante. O “cão” é na verdade um escravo, um homem esquelético e pequeno que está de quatro e, por isso, contrasta ainda mais com a superioridade física do seu “dono”.

Essa cena é comum em apresentações de qualquer clube sadomasoquista. Apesar de cada vez mais presente na vida noturna e nas artes, como cinema, literatura e fotografia, o sadomasoquismo ainda é tabu. Segundo o Novo Relatório sobre Sexo do Instituto Kinsey, em 1990, cerca 10% da população americana praticava ocasionalmente o sadomasoquismo por prazer sexual. Mas são poucos os que mantêm uma atitude tolerante para com as práticas sadomasoquistas ou entendem suas intenções.

O que é, então, sadomasoquismo? Quais os fatores que levam o ser humano a tornar-se sádico ou masoquista?

Tenho 22 anos e por aproximadamente um ano e meio estou vivendo feliz e casada com meu marido, também chamado por mim de ‘Escravo’. Minha personalidade pede por um escravo que me sirva 24 horas por dia. Assim como uma garota mimada, eu tenho a necessidade de humilhar os homens e de subjugá-los e sinto um prazer imenso com isso. Conheci meu marido enquanto estava em férias. Ele se apaixonou loucamente por mim e após alguns meses me propôs casamento. Então, eu pensei: ‘não tenho nada a perder se ele aceitar meus termos’. E meus termos são bem claros: obediência total, alto grau de humilhações e incondicional atendimento dos meus desejos e necessidades”.

Este texto anônimo publicado no site “O Indominável” dá uma amostra clara do que é sadismo sexual.

Os psiquiatras preferem separar o termo sadomasoquismo em duas partes: sadismo sexual e masoquismo sexual. O filósofo francês, Gilles Deleuze (1925-1995) defende com veemência, em sua obra Masochism: Coldness and Cruelty (1989), a idéia de que o sadismo e o masoquismo não formam uma entidade: “Cada qual não se constitui de impulsos parciais, mas é completo em si mesmo”.

No começo do século XX, antes que se adotasse sadismo como termo psiquiátrico oficial, o psicopatologista alemão, Albert Von Schrenck-Notzing (1862-1929) introduziu o termo algolagnia, que significa excitação com a dor. E, embora definisse o desejo de causar dor como um fim em si mesmo, o médico não fazia distinção entre sadismo e masoquismo.

Sadismo, no sentido mais especifico do termo, é a tendência de buscar prazer sexual na imposição de sofrimento a alguém. O termo foi proposto pelo sexólogo alemão Richard von Krafft Ebing (1840-1902) em fins do século passado e deriva do nome do “Marquês” de Sade (Donatien Alphonse-François, 1740-1814). Sade levou uma vida real que rivaliza com suas mais fantasiosas obras de ficção. Sua biografia abrange, de fato, numerosos episódios de comportamento sexual marcado por violência.

Para o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV), a bíblia dos termos psiquiátricos, da Associação Psquiátrica Americana: “As fantasias ou os atos sádicos podem envolver atividades que indicam o domínio do individuo sobre a vítima (por exemplo, forçar a vítima a rastejar ou mantê-la em uma jaula). Os indivíduos também podem atar, vedar, dar palmadas, espancar, chicotear, beliscar, bater, queimar, administrar choques elétricos, estuprar, cortar, esfaquear, estrangular, torturar, mutilar ou matar a vítima. É comum as fantasias sexuais sádicas terem existido na infância.”

Os atos sádicos contam sempre com a participação de outras pessoas, que podem ser parceiras consensuais ou vítimas voluntárias. Para entender o sadismo, é importante observar a diferença entre fantasias sádicas e atos sádicos. O que em geral constitui perversão são os atos, não as fantasias. Todos podem ter fantasias sexuais de qualquer natureza sem o “risco” de serem rotulados de perverso.

“A maioria dos psicólogos, psiquiatras e sexólogos acredita que o sadismo seja apenas manifestação extrema de impulsos de agressividade normalmente associados ao impulso sexual”, explica o sexólogo e autor do livro Vida Íntima, Aldo Pereira. A diferença entre um ato sádico, como chicotear alguém em um contexto sexual, e um ato “apaixonado”, como o de morder durante uma relação sexual, é puramente de grau, não de natureza. Distinguir sadismo da agressividade sexual, considerada normal, é um problema de definição de limites.

Mas por que o sofrimento da vítima dá prazer ao sádico? Às vezes a mera visão de sofrimento já é bastante para excitar o sádico a ponto de levá-lo ao orgasmo. Mas existem muitos casos em que o sofrimento de alguém provoca uma excitação inconsciente, que só vai satisfazer-se depois, com o coito.

Pesquisas apontam que a maioria dos sádicos são homens. Embora existam vários exemplos de mulheres sádicas, os homens praticantes são muito mais numerosos. “Muitas mulheres que praticam atos sádicos não o fazem por motivação própria, e sim como serviço, remunerado ou não, prestado a homens masoquistas”, explica Aldo.

No passado, esse prazer de ferir os outros, era disseminado e livre e até serviu para erigir impérios. Humilhar, mutilar e esquartejar os inimigos e estuprar suas mulheres era uma forma corriqueira e aceita de exibir a força. Hoje a civilização tenta conter a crueldade, limitando-a ao terreno da criminalidade.

Mas nem a lei foi capaz de contê-la. Afinal, o que leva alguém a infligir dor a suas vítimas? Por que na maioria dos casos, assassinos e outros tipos de criminosos são homens? A explicação está na genética.

A psiquiatra americana Helen Morrison coordenou por dez anos um estudo sobre o corpo e a mente dos serial killers e encontrou evidências de que, ainda no útero, eles teriam sofrido uma mutação no cromossomo Y. Essa mutação ficaria inoperante até a adolescência, quando estimulada pela ebulição hormonal, passaria a determinar um padrão de comportamento violento. O fato de a mutação ocorrer apenas no cromossomo Y, definidor da masculinidade, explica porque existem tão poucas mulheres sádicas sexuais ou serial killers.

“Para alguns, a prática de atos cruéis é a única forma de se impor como homem”, diz a antropóloga Alba Zaluar, do Núcleo de Pesquisa das Violências, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Isso vale também para as práticas sexuais sádicas, onde o dominador pode demonstrar sua frieza e exibir sua força para sentir-se realizado em sua virilidade e poder.

Muitos psicólogos supõem que tendências sádicas teriam origem no instinto da espécie humana. Alguns deles comparam a agressividade sexual do homem à dos machos de outras espécies. O coito é tipicamente violento para gatos, morcegos, leões, coelhos, carneiros e entre os mustelídeos (família de predadores que inclui a ariranha, a lontra, a marta e o arminho). O coito dos mustelídeos, por exemplo, começa com o bote do macho sobre a fêmea. Ele crava suas longas e pontiagudas presas no pescoço da fêmea. Ela tenta fugir numa reação vigorosa. A batalha é demorada e, à medida que vai subjugando a fêmea, o macho assume posição favorável para o coito.

Em alguns animais, a subjugação violenta da fêmea tem funções biológicas. Clellan Ford e Frank Beach, pesquisadores americanos que se dedicaram ao estudo dos mustelídeos, constataram que a violência sexual desses bichos não corresponde a um estupro. Se a fêmea não for receptiva, não haverá coito. O comportamento violento é parte essencial do processo reprodutivo desses animais porque os machos recusam fêmeas muito dóceis e que, portanto, deixam de oferecer a resistência normal. Quando o coito ocorre sem o conflito usual, raramente há concepção. Ocorre que a fêmea recebe estímulos durante a luta, que são necessários para a liberação de óvulos maduros. Assim, na ausência dessa estimulação, o coito é estéril.

Paul MacLean, pesquisador das funções psicossexuais do encéfalo, explica por que a agressão é sexualmente excitante para os homens. Segundo suas pesquisas, uma área próxima dos centros da ira tem íntima conexão nervosa com os sistemas de reprodução e de autopreservação. Para MacLean, essa relação neurológica explicaria o ciúme e outras associações entre agressividade e sexualidade.

Nada prova que o sadismo do homem tenha relação com instintos de agressão sexual de outros machos, mas é interessante notar que na Roma antiga havia bordéis vizinhos aos estádios onde eram promovidas as lutas entre gladiadores. Era depois do fim desses espetáculos que as prostitutas romanas eram mais solicitadas. Psicólogos acreditam que certas emoções podem intensificar a excitação sexual. No caso dos romanos, a emoção das lutas dos gladiadores despertava a libido.

Para Freud, os impulsos do sadismo apareceriam na criança como reação a frustrações emocionais, à carência afetiva ou à rejeição. Causar sofrimento seria uma espécie de vingança e um meio de forçar outros a reconhecerem a sua importância e poder.

Outra teoria afirma que o sádico seria uma pessoa insegura a respeito de sua potência sexual. Ela precisaria humilhar e subjugar outra pessoa para sentir que a domina, que ela não tem poder para rejeitá-la ou julgar seu desempenho.

Uma terceira teoria supõe que o sádico foi criado em um ambiente que reprimia o comportamento sexual. Afligido pelo conflito entre o desejo e a culpa, ele resolve o dilema por conjugação: ao mesmo tempo em que se dá o prazer proibido, ele pune a pessoa a quem inconscientemente condena como responsável pelo seu sofrimento e culpa.

A psicanálise é uma das terapias mais usadas para o tratamento de sadismo. Técnicas behavioristas de tratamento por aversão (punição do paciente toda vez que ele manifesta impulso sádico) são inaplicáveis hoje em dia, “em vista da complicada associação de sadismo com masoquismo”, explica Pereira, mas já foram postas em prática nas décadas de 60 e 70.

Minha alma acorrentada sangra, enquanto meu corpo molambento verga. Teus açoites golpeiam violentamente minha carne. Grito e esperneio. Nada te comove. É preciso que me castigues, que tenhas o mando, que nunca te permitas curvar ante minha dor. É vital que sejas impiedoso, pois pensas que do contrário irei procurar outro senhor. Para mim não há perdão. Sou atraída pelo sofrimento. Que venha, então, a dor até a exaustão. Quanto mais, melhor. Que meu corpo chafurde na sarjeta, pois lá é meu lugar. Mas que nunca me privem de ti, meu carrasco! Meu opressor! Meu amor!”

Este é o trecho de um texto de uma masoquista publicado em um blog na internet.

O masoquismo para Krafft-Ebing “é o oposto do sadismo. Enquanto este é o desejo de causar dor e usar a força, o primeiro é o desejo de sofrer a dor e sujeitar-se à força”. Segundo o DSM-IV: “o masoquismo sexual corresponde ao ato (real, não simulado) de ser humilhado, espancado, atado ou submetido a outro tipo de sofrimento. Alguns indivíduos sentem-se perturbados com suas fantasias masoquistas, que podem surgir durante a relação sexual ou a masturbação, mas não se realizam. Nesses casos, as fantasias masoquistas em geral consistem em ser estuprado estando preso ou atado. Outros realizam os seus desejos sexuais maso sozinhos (amarrando-se, picando-se com agulhas ou alfinetes ou mutilando-se) ou com um parceiro. Entre os atos masoquistas que podem ser feitos com parceiros estão as contenções (sujeições), colocação de vendas (sujeição sensorial), palmadas, espancamento, açoitamento, choques elétricos, ser cortado, perfurado e atravessado (infibulação) e humilhado (receber sobre si a urina u fezes do parceiro, ser forçado a rastejar etc.)

O DSM-IV descreve uma forma perigosa de masoquismo: a hipoxifilia, ou “excitação sexual por privação de oxigênio obtida por meio de compressão do peito, enforcamento, saco plástico, máscara ou substancia química”, que pode levar a morte.

Alguns homens que praticam o masoquismo sexual manifestam também fetichismo, fetichismo travestido ou fetichismo sexual.

Aparentemente as fantasias sexuais masoquistas surgem na infância, mas só tem início na vida adulta. O masoquismo sexual costuma ser crônico, e a pessoa tende a repetir o mesmo ato masoquista sempre. Com algumas pessoas, a gravidade dos atos masoquistas aumenta com o passar do tempo em períodos de estresse.

Freud chamou de masoquismo feminino a relação híbrida entre o masoquismo erógeno – em que a função de um prazer sexual estaria diretamente ligada a um sofrimento físico previamente infringido – e um masoquismo moral que consistiria basicamente na complacência perante punições e castigos. Este masoquismo feminino seria então uma ponte entre a dor e a humilhação, relacionado com a passividade, a renúncia total de toda a vontade própria, fantasias masturbatórias e sentimento de culpa inconsciente.

A questão do masoquismo feminino talvez não seja nem feminina nem central da sexualidade feminina, mas, antes, uma forma como a culpabilidade e a necessidade de punição vem ampliar e alimentar o masoquismo na mulher tal como no homem.

Alguns psicólogos acreditam que o masoquismo feminino seria efeito da opressão masculina da mulher e acreditam que esse seria um traço natural da psicologia feminina. Essa idéia é muito contestada

O masoquismo se caracteriza por uma procura mais manifesta que complacente da humilhação que recobre uma atitude profunda de orgulho e de desprezo em relação ao outro. Para o psicoanalista austríaco e “discípulo” de Freud, Theodor Reik, “o masoquista é guiado pelo orgulho e pelo desafio de Prometeu, mesmo quando pretende apresentar-se como Ganímedes”, diz ele, referindo-se ao titã que criou os homens, com seu irmão Epimeteu, e que roubou o fogo dos deuses para presentear às suas criações e ao príncipe de Tróia, por quem Zeus se apaixonou e raptou. Ganimedes foi levado ao Olimpo e era o amante submisso do deus.

Na obra Masochism in Modern Man (1941), Reik afirma que pessoas que praticam a autopunição fazem isso para demonstrar sua força emocional, para induzir culpa nos outros e para atingir um sentimento de "vitória através da derrota".


Ao chegar em casa, o estranho homem se ajoelha na sala e tira as roupas. Ele observa sua coxa branca, onde está arrumado o cilício, arame com pontas de ferro que pressionam a carne. Insatisfeito com as manchas roxas e a dor que o instrumento deixa, ele aperta ainda mais o arame. Depois, com um chicote, golpeia violentamente as costas.

Este penitente é o personagem Silas, membro da Opus Dei (em latim, “Obra de Deus”), instituição hierárquica da Igreja Católica composta por leigos que tem como finalidade participar da missão evangelizadora da Igreja, retratada no livro O Código da Vinci, de Dan Brown. Apesar da descrição acima ser um pouco fictícia, a obra manchou a imagem da organização, que passou a ser vista como uma confraria de masoquistas. Porém, apesar do exagero do autor americano, o caso de Silas tem, sim, um pé na verdade.

Na verdade os membros da Opus Dei não usam um chicote, mas uma pequena corda com nós, conhecida como “disciplina”.

Para o sacerdote espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer, fundador da Opus Dei em 1928, o corpo era um vespeiro, um vulcão de tentações. A penitência física ajudaria a matar o pecado na raiz e controlar os instintos. Hoje, mesmo os católicos mais praticantes acham essas idéias atrasadas, mas, no passado, a penitência foi muito praticada.

Penitência são atos como jejum, vigília, autoflagelação ou peregrinação que os fiéis oferecem a Deus como provas de que estão arrependidos dos seus pecados. É um sacrifício pessoal. A autoflagelação é a única prática condenada no seio da Igreja Católica.

A freira albanesa Teresa de Calcutá era uma das personalidades que costumava a chicotear as próprias costas. Ela via na mortificação uma maneira de compartilhar e compreender o sofrimento dos pobres. Durante o tempo em que foi papa, de 1963 a 1978, Paulo VI usou uma camisa com correntes pontiagudas sob as vestes episcopais.

São João Batista usava o cilício quando jejuava no deserto. Santa Rosa de Lima usava espinhos por debaixo da sua coroa de rosas. Thomas Morus usava debaixo da suas roupas de seda, com que comparecia à corte de Henrique VIII, uma outra de arame a título de cilício como forma de sacrifício voluntário. Carlos Magno chegou a ser enterrado com o cilício que usou durante a vida. Também a irmã Lúcia de Fátima praticou a mortificação corporal.

Até hoje o uso do cilício é comum em algumas ordens religiosa, como as Carmelitas Descalças, os Cartuxos e os Irmãos Franciscanos da Imaculada Conceição. Para os membros da Opus Dei – os chamados de numerários – o cilício é um hábito do cotidiano. Eles usam o arame no mínimo duas horas por dia na coxa. Uma vez por semana eles fazem o “dia da guarda”, quando se devem redobrar os esforços para atingir a santidade. Nesse dia, o numerário se tranca no quarto e usa a “disciplina” para golpear as costas e as nádegas, enquanto reza o pai-nosso ou a ave-maria.

A penitência religiosa pode ser considerada uma espécie de masoquismo, onde o prazer não está na dor, mas na aproximação de Deus que a dor provoca.


O psicanalista americano Robert Stoller conceituou, em 1985, sadomasoquismo – ou S&M, termo que ele e outros estudiosos costumam usar – como tentativa de dominar um trauma precoce revivendo-o em situações controladas e seguras. Os sadomasoquistas participam involuntariamente de um mecanismo inconsciente, de forma ativa ou passiva, em alguma situação familiar. Esses praticantes não têm consciência de que tal comportamento seja uma maneira de reviver um trauma anterior. A repetição indica uma tentativa de solucionar o trauma inicial.

Dor, cortes e autoflagelação, inclusive atitudes suicidas, são tentativas de restituir a unicidade do ego diante de uma angústia avassaladora. Certas pessoas expõem o corpo a alto risco porque, agindo assim, sentem-se no comando. A dor que sentem os ajuda a superar seus medos niilistas de destruição.

Mas o sadomasoquismo seria então uma doença? A socióloga Gini Scott, em seu livro O Poder Erótico (1983), examinou a dinâmica da subcultura sadomasoquista heterossexual e afirmou: "Diferente de psiquiatras e psicólogos que lidam primariamente com indivíduos psicologicamente problemáticos que se interessam por D&S [Dominação e Submissão], não os achei problemáticos psicologicamente ou nocivos à sociedade; ao contrário, um espírito de bom humor prevaleceu e os participantes pareciam, na maioria das vezes, muito atraentes, pessoas bem comuns, que tinham relacionamentos comuns fora da prática de D&S. Uma grande variedade de pessoas, com uma diversa gama de interesses eróticos, participa do sadomasoquismo. Seus antecedentes, atividades e atitudes são bem diferentes do estereótipo social que retrata o sadomasoquismo como uma forma de violência, mau comportamento ou descontrole cometido pelas pessoas psicologicamente instáveis, que procuram machucar os outros ou serem machucadas. No cerne da comunidade estão pessoas sensatas, racionais, respeitáveis, pessoas bem comuns. Desta forma, diferente de sua imagem pública, a comunidade é calorosa, próxima e sólida”.

Longe de parecerem doentes, os praticantes de sadomasoquismo mostram confiança e determinação, sobretudo quanto ao ingrediente essencial – o consenso existente em seu relacionamento. Eles afirmam categoricamente que não provocavam nem dor nem humilhação; o que fazem tem mais a ver com pureza, amor e autenticidade.

O psiquiatra inglês Peter Dally, acredita – apesar de essa idéia ser muito combatida no meio – que as tendências sadomasoquistas de cada pessoa se manifestam no estilo de vida por ela adotado. Dessa forma, juízes, psicanalistas, legistas e cirurgiões seriam mais propensos a serem sádicos.

Atualmente o masoquismo está incorporado à subcultura BDSM, como uma forma de expressão sócio-sexual coletiva ou individual. BDSM é um sinônimo p/ a expressão Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo. Bondage é um tipo específico de fetiche onde a principal fonte de prazer consiste em amarrar e imobilizar seu parceiro ou pessoa envolvida.

Segundo o site de BDSM, O Indominável, feito por uma dominadora sádica, “a disciplina é essencial para a o perfeito adestramento e o bom desenvolvimento de um escravo. Disciplina significa impor limites. São as delimitações as quais o escravo estará contido, tanto fisicamente quando psicologicamente, e claro que o tamanho e expansão desses limites estão sobre o total controle da dominadora”. Escravo é a maneira como o parceiro do dominador é conhecido. “Um escravo disciplinado possui uma vida regrada. Disciplina nada mais é do que o cumprimento de um conjunto de regras que são impostas pela Dominadora para o escravo. E essas regras devem ser cumpridas sempre”, continua ela.

Estas são algumas das práticas de dominação que ela impõe a seu escravo: agir como objeto, obrigar o escravo a engolir seu próprio esperma, sempre se dirigir a ela como “Senhora” ou “Madame”, torná-lo cinzeiro humano, privá-lo da visão, trancá-lo em jaulas e ignorá-lo, obrigar a andar de quatro, urinar em sua comida, usar coleira, entre outros.

O escravo deve assinar um contrato feito pelo dominador, onde oferece seu corpo para o “dono” usufruir livremente e se compromete a fazer sempre as vontades dele. Ao assinar o contrato, o escravo atesta que confia no dominador, que será sempre fiel a ele e que jamais contestará sua ordem.


Havelock Ellis, em seu livro escrito em 1926, Estudos da Psicologia do Sexo, diz: “a essência do sadomasoquismo não é tanto a dor, já que a dominação dos sentidos é mais emocional que física. O masoquismo sexual ativo tem pouco a ver com dor e tudo a ver com a procura de prazer emocional. Quando entendemos que é apenas dor e não crueldade, o essencial nesse grupo de manifestações começamos a chegar mais perto da explicação. O masoquista deseja experimentar a dor, mas ele geralmente deseja que seja infligida com amor; o sádico deseja infligir a dor, mas ele deseja que seja sentida com amor”.

As bases das atividades sadomasoquistas devem seguir as linhas do “são, seguro e consensual”. A pessoa que pratica o sadomasoquismo precisa conhecer as técnicas e preocupar-se com os itens de segurança que estão envolvidos no que está fazendo e atuar de acordo com esse conhecimento.

O sadomasoquismo é voluntário, pois as pessoas que o praticam concordam com a troca erótica de poder por vontade própria e por livre escolha. São livres para escolher. Além de ser voluntário, o sadomasoquismo é consensual, pois todas as pessoas envolvidas concordam sobre o que vai acontecer. As pessoas que praticam sadomasoquismo são informadas a respeito de todas as possíveis conseqüências envolvidas pela troca erótica e não só procuram como têm prazer com esse comportamento.

Para a psicanalista neozelandesa Joyce McDougall, um dos maiores expoentes da psicanálise mundial, “a violência não é, necessariamente, destrutiva: ela pode ser criativa e construtiva. Talvez a violência se torne destrutiva quando não existe espaço para a criatividade e para o erotismo. O ato sexual é, no fundo, violento. Mas a relação afetiva com o objeto o protege de destruição”. Os códigos sadomasoquistas são fielmente respeitados por seus praticantes que fazem parte de um grupo peculiar da sociedade e representam a singularidade humana. Assim como afirma Joyce, “a principal ‘zona erógena’ da humanidade está na cabeça. A perversão, como a beleza, está nos olhos de quem vê.”


A internet vive em constante discussão. Enquanto muitos a utilizam como ferramenta de ajuda para pesquisa, outros preferem extravasar suas perversões mais íntimas. O meio se torna assim, um lugar de contrastes, onde o bonito para os ditos “normais” se confunde com visões e expectativas completamente diferentes.

É cada vez mais comum ligar um noticiário sensacionalista, ou não, e ver mais um pedófilo sendo preso. E o ponto em comum entre eles, é principalmente, a internet. Sites de violência e abuso de crianças pipocam na rede como se fosse normal, e nem chegasse a ser um crime. Como se ninguém fosse visto atrás de uma tela de computador.

A sensação de invisibilidade dada pela internet confunde quem precisa extravasar seus desejos mais incomuns. Em redes de relacionamento pode se encontrar qualquer tipo de pessoa, e uma infinidade de diferentes idéias. Muitas, se escondem atrás de uma bandeira qualquer, para mostrar ao mundo o que pensam e sentem, sem serem “descobertas” por quem as rodeia diariamente.

Essa falsa impressão pode durar pouco, ou, de fato, ser eterna. Tudo depende do que a pessoa coloca na rede. Perversões sexuais consideradas crime são constantemente descobertas pela polícia com ajuda de vários outros usuários, que se tornam “detetives”, a fim de acabar com que acreditam que seja um ‘mal na humanidade’.

Se qualquer pessoa, maior de idade ou não, pesquisar no site de relacionamentos Orkut sobre algum fetiche, como sadomasoquismo, por exemplo, encontrará várias comunidades explicitamente ligadas à prática, e uma infinidade de participantes interessados no assunto, sendo eles sadomasoquistas, aspirantes ou apenas curiosos. E se continuar a pesquisa dentro do perfil de cada usuário mais “ousado”, pode encontrar outra gama de comunidades relacionadas aos mais diversos tipos de fetiches e práticas. É como se as grandes casas S & M (ponto de encontro para quem se interessa por sadismo ou masoquismo e outros fetiches) migrassem para a internet, a fim de juntar usuários do mundo todo em um único ambiente, que embora seja virtual, não pode ser descartado.

Por trás de cada perfil “falso” da internet existe um cidadão comum, que exerce profissões muitas vezes bem vistas na sociedade contemporânea, como médicos, engenheiros, dentistas e advogados, entre outros. E é na brecha do anonimato, aberta pelo surgimento da internet, que essas pessoas exteriorizam suas perversões. Muitos levam tempo para entrar nessa “sociedade secreta” por sustentarem ainda algum tipo de medo de serem descobertos. Outros encontram novas formas de satisfação através do depoimento de terceiros. E assim, se forma a grande comunidade dos excluídos anônimos. Onde nome, endereço e classe social não fazem a menor diferença.

9.9.08


Se, mesmo depois de várias revoluções e revolucionários, o mundo mantém paradigmas ultrapassados, imagine como seria se tudo estivesse exatamente como era há séculos. Enquanto Alfonso Donatiano Francisco de Sade, lá por 1700 escrevia contos pecaminosos e escandalosos, era preso e sofria acusações terríveis. Uma imensidade de senhores poderosos praticavam suas perversões sexuais, tais quais eram descritas por Sade, sem serem julgados nem descobertos.

Marquês de Sade está, ao mesmo tempo, inserido como um dos maiores e mais difamados escritores de sua época. Existe sim a prioridade para o difamado. Pois são poucos os que compreendem sua obra e a levam a sério. O aristocrata francês respirava polêmica.

Questionador, passou a vida protestando a moral e os “bons costumes” franceses. A religião era sua maior opositora, e a mais questionada por suas ideologias libertárias e, de certa forma, futurísticas. Para desgosto maior da igreja, isso acontecia bem na época em que o clero perdia suas influências. A burguesia francesa ganhava forças, pensadores ateus como Rousseau e Voltaire começavam a surgir. Era a decadência em forma de cruz. Tanto os padres, como a própria igreja, já não serviam para muita coisa.

Começara a partir dali uma luta para se manter sociável, mesmo fora das grades da religião. Sade foi no caminho contrário. Se declarou livre de qualquer valor moral. Para ele, Deus e o Diabo eram indiferentes, não possuíam valores significativos. “O meu maior desgosto é que Deus, na realidade, não exista, privando-me assim do prazer de o insultar mais positivamente”, protestava ele.

Foi dessa idéia de “mundo sem valores” que Sade começou sua buscar pelo extremo prazer pessoal. A partir do momento em que expôs para a sociedade a premissa de que os prazeres sexuais mais intensos deveriam ser buscados sem nenhuma restrição ética ou moral, espalhou por todos os cantos da França uma profunda indignação e ódio. Seu tempo de libertinagem foi menor do que o de encarceramento. Foram 27 anos na prisão. Seus crimes, se fossem julgados hoje, superlotariam todas as prisões do mundo.

Amantes, orgias bissexuais, prostitutas, casos homossexuais e sodomia eram os prazeres de Sade. Seu pior crime foi causado pelo último item. Em 1768 foi acusado de por uma jovem de tê-la torturado enquanto proferia obscenidades. Surgia aí o que hoje chamamos de sadismo.

Sade foi considerado um pervertido sexual por cem anos. No século XIX se chegou a conclusão que ele havia percebido uma característica humana a muito tempo interiorizada, a busca do prazer com absoluta independência e exaltação das sensações por todos os meios e combinações possíveis. Alguns acreditam que ele tenha nascido fora de sua época. Um futurista. O percussor de idéias freudianas. Sade abriu as algemas dos desejos secretos, da intimidade absoluta, da solidão e do prazer.

“... nada nem ninguém é mais importante do que nós próprios. E não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes.”
Marquês de Sade

Nobre, educado e perverso. Leopold Franz Johann Ferdinand Maria Sacher, conhecido como Masoch, era um romancista Austríaco. Estudou francês e alemão, além de demonstrar um talento em tanto para a escrita. Muitos o julgam o maior escritor de sua época. Outros, consideram que sua literatura foi sua condenação.

Cerca de um século depois de Sade, Masoch surgiu como o oposto das perversões sádicas. Seu pai, a maior autoridade da região em que vivia, amava o luxo, a caça, e gosta de se glorificar por seus feitos. Um homem encantador para Masoch.

Aos 33 anos, Masoch conheceu Fanny de Pistor Bogdanoff, uma bela e nobre dama, que, acima de tudo, ostentava uma paixão imensa por ele. Era nela que ele confiava. E foi aí que tudo começou. Masoch criou com sua mulher uma espécie de contrato. Em que ele deveria ser, por seis meses, seu escravo. A única ressalva era que ela o deixasse escrever. A partir desse relacionamento, Masoch cria o que hoje chamamos de masoquismo, o prazer em sofrer, em ser dominado. A experiência não deu o resultado esperado, mas em seu livro A Vênus de Peles, Masoch escreve cada cena como queria que tivesse sido.
Muitas vezes Masoch alcançou o prazer desejado, mas não tantas vezes quanto podia desejar. Encontrar um parceiro disposto a domá-lo não era tão fácil quanto parecia. Aos 59 anos morreu, deixando para trás mais de 30 romances, ensaios e contos publicados, a maioria, descrevendo seus desejos, suas perversões e seus prazeres, que nem sempre haviam sido consumados.

Acrotomofilia: interesse sexual por pessoas que tenham partes do corpo amputada. (também conhecido como Devotee)

Agalmatofilia: excitação desencadeada pela observação ou contato com estátuas.

Agrofilia: excitação em fazer sexo no campo (mato).

Apotemnofilia: desejo de ver uma ou mais partes do corpo amputadas. (também conhecido como wannabe – querer ser)

Auto-androfilia: desejo de se parecer com homem. Geralmente, o desejo é mantido em segredo, e serve apenas para satisfação sexual. Muitas mulheres chegam a tomar hormônios masculinos para chegar mais perto do objetivo, mas vive continuam vivendo em sociedade como mulheres, muitas vezes casando e tendo filhos. Podem ser chamadas também de crossdresser.

Autoginefilia: (a nomenclatura masculina de auto-androfilia)

Bondage: é um tipo específico de fetiche. A principal fonte de prazer consiste em amarrar e imobilizar o parceiro. Pode ou não envolver a prática de sexo com penetração.

Clismafilia: excitação sexual causada por clisters (nomenclatura destinada a lavagem intestinal utilizando-se de um tubo com líquidos laxantes para aplicação retal. É utilizado em determinados exames para se conseguir imagens nítidas do intestino grosso. A lavagem intestinal é feita por muitos homossexuais horas antes da prática sexual.)

Coprofagia: prática de ingestão fezes. Ocorre em algumas espécies de animais, como cães, gatos, insetos e aves. A prática por seres humanos é vista como uma patologia de ordem psíquica ou um desvio sexual.

Coprofilia: excitação relativa ao contacto com fezes do parceiro sexual. Abrange um grande número de práticas, que pode inclusive chegar à coprofagia (ingestão).

Coreofilia: excitação sexual causada pela dança

Crinofilia: excitação sexual provocada por secreções (saliva, suor, secreções vaginais, etc).

Efebofilia: também conhecida como hebefilia [do grego "ephebos" - pessoa jovem pós-pubescente, ou "hebe" - juventude, + "philia" ] é a "prática sexual por homens e menores com faixa etária entre 10 e 16 anos" (Croce, 1995[1]). Um efebófilo pode ser de ambos os sexos, e se interessar por adolescentes do sexo masculino, feminino ou ambos. A pederastia se refere à atração direcionada a adolescentes masculinos. A atração por adolescentes femininas é algumas vezes chamada de Síndrome de Lolita. A atividade efebofílica pode ser fantasiada durante a masturbação ou cópula com parceiros adultos.

Emetofilia: excitação obtida com o ato de vomitar, ou pelo vomito de outra pessoa. Também conhecido como "banho romano" a prática pode se estender para um outro tipo de parafilia denominada "Emetofagia" nesse caso a excitação é obtida através do ato de comer ou ingerir vômito, o que geralmente é recíproco de ambos os parceiros dessa prática

Fetiche por balões: o portador se excita ao ver e tocar balões de latex (bexigas, bolas de festa). Na Internet seus adeptos se auto-denominam Looners.

Frotteurismo: excitação sexual resultante da fricção dos órgãos genitais no corpo de uma pessoa completamente vestida, no meio de outras pessoas, como nos trens, ônibus e elevadores.

Gerontofilia: atração sexual de não-idosos pelos idosos. Pode ser a atração sexual de um homem jovem por uma mulher madura (graofilia ou anililagnia), ou de uma mulher jovem por um homem maduro. Pode ser uma atração sexual e erótica hétero ou homosexual.

Hipofilia: desejo sexual por cavalos ou éguas

Incesto: é a relação sexual ou marital entre parentes próximos ou alguma forma de restrição sexual dentro de determinada sociedade.

Maieusofilia: parafilia que consiste em sentir excitação sexual pela visualização de partos.

Masoquismo: é uma tendência pela qual uma pessoa busca prazer ao sentir dor ou imaginar que a sente.

Menofilia: parafilia que consiste em ter excitação sexual por mulheres menstruadas

Nanofilia: atração sexual por anões

Necrofilia: parafilia caracterizada pela excitação sexual decorrente da visão ou do contato com um cadáver. O fenômeno da necrofilia é conhecido desde os mais remotos tempos da história humana, podendo ainda hoje ser observado como costume comum (às vezes até sacralizado) em certas tribos africanas e asiáticas, bem como em manifestações esporádicas na chamada civilização ocidental

Parafilia: é um padrão de comportamento sexual no qual a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula, mas em alguma outra actividade. Em determinadas situações, o comportamento sexual parafílico pode ser considerado perversão ou anormalidade.

Pedofilia: (também chamada de paedophilia erotica ou pedosexualidade) é a atração sexual de um indivíduo adulto por crianças, pré-púberes ou não. Esse “transtorno” é considerado crime gravíssimo.

Podolatria: é um tipo particular de fetiche cujo desejo se concentra nos pés. O fetichista responde ao pé de uma maneira similar à que outros indivíduos respondem a nádegas ou seios.

Pogonofilia: excitação sexual por barbas, homens barbados.

Pregnofilia: desejo sexual por mulheres grávidas

Sadismo: O foco parafílico do Sadismo Sexual envolve atos (reais, não simulados) nos quais o indivíduo deriva excitação sexual do sofrimento psicológico ou físico (incluindo humilhação) do parceiro. Quando o Sadismo Sexual é severo, e especialmente quando está associado com Transtorno da Personalidade Anti-Social, os indivíduos podem ferir gravemente ou matar suas vítimas.

Teleiofilia: termo criado por Kurt Freund, significando a atração sexual de um menor por adultos. Como isto é norma na maioria das sociedades, não é usualmente considerado uma parafilia, e a expressão é raramente usada.

Trampling: é um fetiche que consiste no ato de um indivíduo ser pisado por uma ou mais pessoas, normalmente do sexo oposto, sendo mais comum uma mulher pisando num homem. É muitas vezes associado ao sadomasoquismo e à podolatria.

Urofilia: é a excitação associada ao ato de urinar ou receber o jato urinário do parceiro, chegando-se, em alguns casos, a beber a urina. A urina pode ser depositada no ânus ou vagina. É também designada como Ondinismo ou Urolagnia ou pelo termo popular "Chuva Dourada".

Voyeurismo: é a prática de obter prazer sexual observando, em segredo, outras pessoas. A pessoa que está sendo observada pode estar envolvida em algum ato sexual, nua, com roupas intimas ou com qualquer vestimenta que chame atenção do observador, conhecido como voyeur.

Zoofilia: é a atração ou envolvimento sexual de humanos com animais. Tais indivíduos são chamados zoófilos. A zoofilia é legal em alguns países, mas na maioria dos países atos sexuais com animais são ilegais.