10.9.08

Minha alma acorrentada sangra, enquanto meu corpo molambento verga. Teus açoites golpeiam violentamente minha carne. Grito e esperneio. Nada te comove. É preciso que me castigues, que tenhas o mando, que nunca te permitas curvar ante minha dor. É vital que sejas impiedoso, pois pensas que do contrário irei procurar outro senhor. Para mim não há perdão. Sou atraída pelo sofrimento. Que venha, então, a dor até a exaustão. Quanto mais, melhor. Que meu corpo chafurde na sarjeta, pois lá é meu lugar. Mas que nunca me privem de ti, meu carrasco! Meu opressor! Meu amor!”

Este é o trecho de um texto de uma masoquista publicado em um blog na internet.

O masoquismo para Krafft-Ebing “é o oposto do sadismo. Enquanto este é o desejo de causar dor e usar a força, o primeiro é o desejo de sofrer a dor e sujeitar-se à força”. Segundo o DSM-IV: “o masoquismo sexual corresponde ao ato (real, não simulado) de ser humilhado, espancado, atado ou submetido a outro tipo de sofrimento. Alguns indivíduos sentem-se perturbados com suas fantasias masoquistas, que podem surgir durante a relação sexual ou a masturbação, mas não se realizam. Nesses casos, as fantasias masoquistas em geral consistem em ser estuprado estando preso ou atado. Outros realizam os seus desejos sexuais maso sozinhos (amarrando-se, picando-se com agulhas ou alfinetes ou mutilando-se) ou com um parceiro. Entre os atos masoquistas que podem ser feitos com parceiros estão as contenções (sujeições), colocação de vendas (sujeição sensorial), palmadas, espancamento, açoitamento, choques elétricos, ser cortado, perfurado e atravessado (infibulação) e humilhado (receber sobre si a urina u fezes do parceiro, ser forçado a rastejar etc.)

O DSM-IV descreve uma forma perigosa de masoquismo: a hipoxifilia, ou “excitação sexual por privação de oxigênio obtida por meio de compressão do peito, enforcamento, saco plástico, máscara ou substancia química”, que pode levar a morte.

Alguns homens que praticam o masoquismo sexual manifestam também fetichismo, fetichismo travestido ou fetichismo sexual.

Aparentemente as fantasias sexuais masoquistas surgem na infância, mas só tem início na vida adulta. O masoquismo sexual costuma ser crônico, e a pessoa tende a repetir o mesmo ato masoquista sempre. Com algumas pessoas, a gravidade dos atos masoquistas aumenta com o passar do tempo em períodos de estresse.

Freud chamou de masoquismo feminino a relação híbrida entre o masoquismo erógeno – em que a função de um prazer sexual estaria diretamente ligada a um sofrimento físico previamente infringido – e um masoquismo moral que consistiria basicamente na complacência perante punições e castigos. Este masoquismo feminino seria então uma ponte entre a dor e a humilhação, relacionado com a passividade, a renúncia total de toda a vontade própria, fantasias masturbatórias e sentimento de culpa inconsciente.

A questão do masoquismo feminino talvez não seja nem feminina nem central da sexualidade feminina, mas, antes, uma forma como a culpabilidade e a necessidade de punição vem ampliar e alimentar o masoquismo na mulher tal como no homem.

Alguns psicólogos acreditam que o masoquismo feminino seria efeito da opressão masculina da mulher e acreditam que esse seria um traço natural da psicologia feminina. Essa idéia é muito contestada

O masoquismo se caracteriza por uma procura mais manifesta que complacente da humilhação que recobre uma atitude profunda de orgulho e de desprezo em relação ao outro. Para o psicoanalista austríaco e “discípulo” de Freud, Theodor Reik, “o masoquista é guiado pelo orgulho e pelo desafio de Prometeu, mesmo quando pretende apresentar-se como Ganímedes”, diz ele, referindo-se ao titã que criou os homens, com seu irmão Epimeteu, e que roubou o fogo dos deuses para presentear às suas criações e ao príncipe de Tróia, por quem Zeus se apaixonou e raptou. Ganimedes foi levado ao Olimpo e era o amante submisso do deus.

Na obra Masochism in Modern Man (1941), Reik afirma que pessoas que praticam a autopunição fazem isso para demonstrar sua força emocional, para induzir culpa nos outros e para atingir um sentimento de "vitória através da derrota".

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